segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Como a ciência funciona | Coronavírus #54

O novo coronavírus trouxe o debate sobre a ciência para as redes sociais. Afinal, os cientistas erraram as previsões sobre a pandemia?

 

 

Olá, meus amigos. Essa pandemia traz um monte de oportunidades de aprendizado. Pra ciência nem se fala, mas também pra política e pra nós mesmos, como indivíduos. Eu vejo muitas pessoas comentando que “uma hora tem estudo que mostra que cloroquina funciona, depois não”, “uma hora falam que máscara de tecido não serve pra nada, agora tem que usar em todos os lugares”, e coisas desse tipo.

Esse pensamento mostra o quanto a ciência NÃO faz parte da vida das pessoas. Esses exemplos que eu citei, são exemplos de como a ciência não sabe o que está fazendo? Não. São exemplos justamente de como a ciência funciona. Você vai lá, observa um fenômeno — no caso atual, o novo coronavírus –, vê o que ele faz, como age, analisa casos diferentes, testa um tratamento que por um conhecimento prévio tem boa segurança e chance de dar certo, vê o que acontece, testa outro tratamento e por aí vai.

Nesse caminho todo, a ciência encontra alternativas que não dão certo. Ou alternativas que parecem dar certo no início, mas que analisando mais detalhamente, na verdade não ajudam e podem até ser prejudiciais. Tudo isso é normal. Faz parte.

No começo da pandemia, a gente via doença, analisava o vírus, comparava com outros semelhantes, com doenças parecidas, e podia criar uma ideia da sua gravidade. Conforme a pandemia avançava, nós fomos recebendo mais informações. Como a doença age em crianças? E em idosos? E em quem já tem outras doenças? E nas grávidas? É uma doença que pega mais fácil que outras? Quem pega começa a ter sintomas quando? Antes de ter sintomas já transmite? Tudo isso foi acontecendo e em um determinado ponto a gente pôde fazer uma análise melhor: aquela nossa primeira ideia da potencial gravidade da covid-19 estava subestimada.

O que precisa ficar claro é que isso não é nenhuma vergonha. É justamente assim que a ciência funciona. Fazendo deduções embasadas no conhecimento científico prévio, testando hipóteses, descobrindo que deduções anteriores estavam equivocadas, identificando onde está o equívoco e corrigindo. Isso é ciência.

Esse é o aprendizado que a gente precisa ter. Caso contrário, sem a ciência como guia, a gente vai ficar só andando em círculos, como foi no passado, enquanto milhares morrem à nossa volta.

Veja também: O prejuízo dos boatos para a ciência | Esper Kallás

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Siga com a vacinação das crianças durante a pandemia

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, o ideal é estar em dia com a vacinação das crianças para evitar que outras doenças voltem a circular no país.

 

A espera pela vacina que previna o novo coronavírus se tornou o assunto do momento. Mas, por outro lado, como consequência da pandemia e do medo de contrair a covid-19, pais e responsáveis deixaram de vacinar as crianças contra doenças já conhecidas, como sarampo, hepatite B, poliomielite e febre amarela.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência a pedido da farmacêutica Pfizer, aproximadamente 29% dos pais atrasaram a vacinação ou não sabem como está a situação vacinal dos seus filhos. As entrevistas foram realizadas online em julho/2020, com 2 mil pessoas de cinco capitais brasileiras.

Apesar do coronavírus, é importante seguir o calendário de vacinação para evitar surtos e epidemias de outras doenças, o que seria desastroso em meio à crise que já vivemos. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), toda a população pode tomar as vacinas disponíveis gratuitamente. É só procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) portando a carteira de vacinação da criança.

A vacinação é importante em todas as idades, inclusive na vida adulta, mas é ainda mais necessária no caso das crianças, para haver prevenção precoce, principalmente de doenças que podem deixar sequelas por toda a vida, como a poliomielite, erradicada do país justamente por meio das campanhas de imunização. Ainda existe o benefício para toda a sociedade através do “efeito de rebanho”(imunidade coletiva). Crianças têm um papel fundamental nesse efeito, pois são vetores importantes de doenças, já que seu sistema imunológico está em desenvolvimento e elas passam grande parte do tempo próximas de outras crianças.

 

Como se vacinar com segurança

 

Se você faz parte do grupo de risco para covid-19, fique em casa e peça para algum familiar ou pessoa de confiança levar a criança para tomar as vacinas. Além dessa precaução, não há medida específica para se prevenir ao levar as crianças para se vacinarem. Os cuidados são os que já conhecemos: utilizar máscara, higienizar as mãos com frequência e manter o distanciamento mínimo de 1,5 metro, além de realizar toda a higienização ao retornar para casa.

Antes mesmo da pandemia, a baixa adesão da população à vacinação fez com que doenças antes erradicadas do país voltassem. É o caso do sarampo. Atualmente, todas as regiões do país apresentam surtos da doença, sendo o estado do Pará o mais afetado, com 4.642 casos, representando 64,4% do total de ocorrências da doença no Brasil. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 117 milhões de crianças no mundo vão deixar de receber a vacina em 2020 por conta da pandemia de covid-19, o que fez disparar um alerta sobre o tema.

O sarampo tem grande potencial de transmissão: uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para outras 18 pessoas. Para se ter uma ideia, estima-se que cada pessoa com o novo coronavírus transmita-o para outras três. Sem as vacinas, o sarampo atingiria milhares de pessoas anualmente no país.

Veja também: Mas… não faz mal bebês tomarem tantas vacinas?

As fake news (notícias falsas) espalhadas pelas redes sociais são apontadas como grandes responsáveis pela debandada. Boatos que colocam em xeque a segurança e efetividade das vacinas distanciam cada vez mais a população dos postos de saúde.

A pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência mostrou que 48% dos entrevistados declararam medo das reações adversas da vacina e 20% têm receio com os cuidados dispensados à vacina ou com a higiene do local de vacinação.

O desenvolvimento de vacinas passa por um rigoroso processo para garantir sua eficácia e testar sua segurança com o mínimo efeito adverso possível. Sua descoberta é um marco na saúde pública mundial, e a ciência já consolidou o conhecimento sobre seus efeitos. Mesmo durante a pandemia, os serviços de saúde estão realizando a vacinação.

Conheça o calendário de vacinação do Ministério da Saúde e vacine seus filhos. https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/vacinacao/calendario-vacinacao

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Cabelo Masculino: conheça os tipos e saiba como cuidar

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Essa ideia de que apenas mulheres se preocupam com a aparência já ficou totalmente ultrapassada. Os homens estão cada vez mais interessados em se cuidar e um dos principais tópicos nessa jornada de autodescoberta e autocuidado é o cabelo masculino.

Muitos homens nem conhecem os tipos de cabelo, muito menos sabem como cuidar dele. Pensando nisso, aqui faremos uma introdução bem completa sobre o assunto para que você possa dar seus primeiros passos cuidados com o cabelo.

4 tipos de cabelo masculino

Diferentemente do que você pode ter acreditado por um bom tempo, cabelos de tipos diferentes precisam de cuidados diferentes. Existe uma infinidade de produtos para cabelo e, para saber qual levar para casa, é importante saber qual é o seu tipo de cabelo!

E, se você está se perguntando “como saber qual é o meu tipo de cabelo?”, a resposta é: conheça os tipos de cabelo masculino e descubra com qual você se identifica. Para te ajudar a fazer isso, falaremos a seguir sobre essas classificações e daremos dicas de cuidados para cada uma delas.

Cabelo masculino liso

O cabelo masculino liso é aquele que não tem curvas. Ele costuma ser fino, bem alinhado, sem volume nem frizz.

Um ponto negativo do cabelo masculino liso é que ele pode ser oleoso. Além disso, ele pode também ser difícil de modelar. Por isso, o ideal para esse tipo de cabelo é usar produtos anti oleosidade e, para dar mais textura, volume e definição, podem ser usadas pomadas capilares e fixadores.

Existem três subtipos de cabelo masculino liso:

  • 1A: não têm ondas, são mais finos e oleosos;
  • 1B: também não apresenta ondas, mas os fios são menos finos;
  • 1C: ainda sem ondas, são um pouco mais grossos e têm mais textura.

Cabelo ondulado masculino

O cabelo ondulado masculino é um meio termo entre o liso e o cacheado. Ele tem ondas no formato de “S”, mas não há muita definição e não são formados cachos.

Esse tipo de cabelo masculino tem volume naturalmente e é mais fácil de modelar. Porém, dependendo do subtipo, ele pode ser mais ressecado. Por isso, para o cabelo ondulado masculino, recomendamos que seja feita uma hidratação mensal.

Dentre os subtipos de cabelo ondulado masculino temos:

  • 2A: tem raiz lisa e ondas maiores, pouco volume e é naturalmente sedoso;
  • 2B: tem ondas mais marcantes e mais volume;
  • 2C: começam a aparecer cachos, mas bastante abertos e os fios podem ser ressecados.

Cabelo cacheado masculino

Com cachos bem definidos, podendo ser mais abertos ou mais fechados, o cabelo cacheado masculino costuma apresentar frizz e é naturalmente mais ressecado.

Para o cabelo cacheado masculino, recomendamos as técnicas no poo e low poo, ou seja, o uso de produtos capilares sem sulfatos — ingredientes que podem ressecar os fios. Você pode usar produtos que já têm a composição diferenciada, como os da Deva Curl, ou pode optar por usar o seu shampoo comum menos frequentemente.

Outra recomendação importantíssima para o cabelo cacheado masculino é usar condicionadores e máscaras hidratantes e, caso perceba que seu cabelo está ressecado ou danificado, fazer hidratação pelo menos quinzenalmente e umectação com óleo capilar uma vez por mês.

Aliás, para tipos de cabelo masculino cacheados e crespos, o cronograma capilar é uma super dica! Vale a pena conhecer e encaixar na sua rotina.

O cabelo cacheado masculino tem três subdivisões:

  • 3A: cachos mais abertos, apresenta volume e pode ter frizz;
  • 3B: cachos mais fechados, sofrem com ressecamento e frizz;
  • 3C: com fios mais grossos, os cachos são ainda menores e mais volumosos.

Cabelo crespo masculino

O cabelo crespo masculino costuma ter o fio mais grosso e, assim como o cacheado, é naturalmente mais ressecado. Esse tipo de cabelo pode ter aparência mais opaca e tem os cachos bem fechadinhos ou em formato de zigue zague.

Assim como alguns tipos de cabelos masculinos cacheados, os crespos podem sofrer com o fator encolhimento. Ou seja, o cabelo pode aparentar ser menor do que realmente é, o que dá a impressão que ele demora mais para crescer e também pode diminuir seu volume natural.

Para o cabelo masculino crespo, recomendamos também o cronograma capilar, com bastante foco em hidratação e nutrição capilar. E, para quem quer driblar o encolhimento e ter mais volume, os pentes garfo podem ser uma ótima aposta!

Assim como os tipos de cabelo masculino anteriores, o cabelo crespo masculino tem três subtipos:

  • 4A: cachos em formato de mola, bem fechadinhos e opacos;
  • 4B: cachos sem muita definição, perdem volume quando estão secos;
  • 4C: fios em formato de zigue zague e tendência a crescer para cima.

Dicas de produtos para cabelos masculinos

Agora que você já respondeu à questão “como saber qual é o meu tipo de cabelo?”, vamos a algumas dicas que vão te ajudar na hora de escolher seus produtos capilares.

  1. É comum que produtos capilares masculinos tenham mentol e cafeína, esses ingredientes ajudam a remover a oleosidade e, por isso, são recomendados para cabelos mais finos e lisos;
  2. Para ajudar com a oleosidade, você pode também procurar por produtos que equilibram o pH do couro cabeludo e dos fios;
  3. Shampoo seco pode também ser útil para os tipos de cabelo masculino oleosos, principalmente quando não for possível lavar — e também para dar mais textura aos fios;
  4. As pomadas modeladoras costumam ter alta fixação e podem ser usadas para deixar os fios no lugar ou para fazer penteados;
  5. Os óleos de tratamento tratam, ajudam na definição de cachos e diminuem o frizz;

Quanto às pomadas e outros finalizadores, para o cabelo curto masculino é importante evitar a raiz para não ter problemas com oleosidade. E, tanto para o curto, médio ou cabelo grande masculino, é necessário evitar usar chapéus e bonés durante muito tempo, pois isso pode promover também oleosidade e até o surgimento de caspas. E, para o cabelo grande masculino, também não é bom prendê-lo quando ainda está molhado e nem deixá-lo preso o dia inteiro.

Agora que você já descobriu quais são os tipos de cabelo masculino, sabe qual é o seu e conhece nossas dicas de cuidados e para escolher produtos, que tal começar a montar seu próprio kit de produtos capilares? Confira tudo o que temos disponível no site!

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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Bipolaridade não é uma simples mudança de humor | Coluna #138

Oscilações cotidianas de humor não são suficientes para diagnosticar a bipolaridade. Conheça mais sobre o transtorno bipolar neste vídeo.

 

Simples mudanças de humor não caracterizam uma pessoa como bipolar, apesar do termo ter se popularizado nesse sentido. É preciso tratar o assunto com seriedade e principalmente ajudar aqueles que de fatos convivem com a bipolaridade. Dr. Drauzio fala sobre as duas fases que pessoas com transtorno bipolar enfrentam durante as crises.

Veja também: Entrementes #02 | Transtorno bipolar

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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

DrauzioCast #129 | Coronavírus: A farsa do aumento de imunidade

As buscas sobre como aumentar a imunidade para se proteger do novo coronavírus trazem diversas informações equivocadas. Dr Drauzio comenta o tema neste podcast.

 

Se você for na internet, vai encontrar uma série de pessoas falando do que é bom pra fortalecer a imunidade. É lógico que se eu tenho uma doença, um vírus pro qual não existe tratamento, que vai me provocar problemas mais graves, eu quero dizer, como é que eu faço pra me defender? Se eu tiver uma imunidade muito boa eu vou me defender?

Vai. Isso tá certo. Agora, o que tá errado é dizer que existem tratamentos pra isso. A coisa mais pesquisada na Medicina, a coisa que a Medicina mais gostaria que existisse o que é? Substâncias, medicamentos etc. que aumentem a imunidade.

Não existe esse tipo de medicamento. Nós não sabemos melhorar a imunidade das pessoas. O que nós sabemos o que é? Se você tem uma doença que prejudica sua imunidade, muitas vezes a gente sabe tratar essa doença, e aí sua imunidade vai melhorar espontaneamente.

Agora, um medicamento ou qualquer tipo de procedimento que você consiga através dele fazer a imunidade das pessoas aumentar não existe, então não caia nesse tipo de fake news que fica anunciando medicamentos espetaculares, muitas vezes, infelizmente, anunciado por médicos.

Veja também: Podemos apostar na imunidade de rebanho? | Coluna

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Qual tem sido o papel do álcool na sua vida durante a quarentena?

 Refletir sobre o próprio consumo de álcool na quarentena é um exercício importante e pode prevenir que a bebida se torne um problema.

 

Diferentemente do que sugeriu o presidente da Bielorrússia Alexander Lukashenko a respeito das medidas para conter a pandemia no país, consumir vodca não mata o novo coronavírus. A declaração é descabida, mas, para muitos, pode ser que a fala tenha sido encarada como uma justificativa (mesmo que anedótica) para beber mais. Poucos meses depois do episódio, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Europa viu a necessidade de fazer um comunicado alertando que bebidas com alto teor alcoólico não matam o vírus da covid-19. Nesse mesmo alerta, também incentiva os governos a aplicarem medidas que limitem o consumo de álcool durante o confinamento. 

Veja também: Podcast “Entrementes” sobre ansiedade na quarentena

No Brasil, ainda não há estudos consolidados sobre o aumento do consumo de álcool durante o período de isolamento social, mas o crescimento é esperado por profissionais da área da Saúde – e, convenhamos, muitos de nós, mesmo não sendo da área, intuitivamente daríamos esse chute. “Subjetivamente, a gente constata isso. Tenho vários pacientes e colegas meus fazendo referência a esse fenômeno”, afirma Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra e coordenador do Serviço de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Antes de partirmos para recomendações genéricas – e, muitas vezes, moralistas – a respeito do consumo de drogas, é importante convidarmos quem bebe a refletir sobre o papel que o álcool tem no seu dia a dia. “Cada pessoa é um universo. Pode soar clichê, mas é importante trazer um pouco de empatia para esse assunto. A questão do julgamento, de apontar o dedo, não ajuda o outro em nada. Cada um terá hábitos que lhe servem para alguma coisa”, afirma Maria Angélica Comis, psicóloga e mestre em Medicina e Sociologia do Abuso de Drogas. 

 

Por que bebemos?

 

Uma das motivações para o uso de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, é a busca por prazer. Culturalmente, associamos o álcool a situações prazerosas, encontros entre pessoas queridas e momentos de lazer de forma geral. Também vemos com frequência o uso do álcool como uma espécie de “lubrificante social”, que ajuda a nos sentirmos mais soltos e à vontade nas mais diversas situações. “O álcool é um depressor do sistema nervoso central, e um de seus efeitos é a desinibição. Estando mais desinibido, você não fica tão preso às suas neuroses”, explica Comis. 

Beber para amenizar algum tipo de mal-estar emocional também é uma motivação comum, e momentos sensíveis como o que vivemos podem acentuar esse tipo de uso, ainda que, de tão naturalizado, a pessoa não perceba “Durante a pandemia, na minha atuação como psicóloga, percebi muitas pessoas relatando um desconforto generalizado, mas sem conseguir nomear exatamente esse sentimento. O que me fez convidá-las a refletir sobre o luto. Estamos vivendo um luto coletivo, constante, há meses. É um misto de ansiedade, impotência e incerteza. Às vezes, o álcool surge para aliviar essa sensação”, conta a psicóloga.

 

Refletir sobre o próprio consumo como estratégia de autocuidado


Essas são apenas algumas das diversas motivações que alguém pode ter para decidir tomar umas. A questão, frente a um cenário tão amplo, é conseguir olhar para seus hábitos relacionados ao álcool para entender qual é o papel que você atribui à substância na sua vida – assim como podemos estender essa dica a outros tipos de hábitos, como cultivar plantas ou comer chocolate.

Se eu estou me sentindo muito angustiado, muito ansioso, muito nervoso, e eu não sei muito bem como lidar com isso, eu posso usar o álcool como um ‘remédio’ para o mal-estar. Mas esse é um padrão de uso que é mais parecido com o uso de quem fica dependente, porque, na verdade, o álcool não é um remédio.

Um bom ponto de partida pode ser imaginar um tabuleiro de xadrez. De um lado, estão as peças que representam aquilo a que você geralmente recorre para buscar prazer e, do outro, o que você busca para anestesiar algum sofrimento. Tente posicionar a “peça álcool” em um desses lados. Assim como no jogo, é importante observar a movimentação que essa peça pode fazer. Por que, em determinado momento, você resolveu que iria beber? Colocado dessa forma, a pergunta pode pode até parecer um pouco descolada da realidade; afinal, ninguém costuma se servir de cerveja e se fazer esse tipo de pergunta. Mas a intenção do exercício é imaginar como seria sem o álcool, e refletir sobre os sentimentos que podem vir com a resposta. 

Não se trata de se encher de perguntas a cada gole, mas o questionamento pode auxiliar as pessoas a desenvolverem um olhar de autocuidado em relação ao próprio consumo. “Esse autoquestionamento tem valor tanto no tratamento como na prevenção”, aponta Dartiu Xavier da Silveira.

Se você passou a beber em mais momentos em comparação com antes da pandemia, por exemplo, ou até se manteve a mesma frequência de antes, como seriam as atividades que hoje você realiza acompanhadas de álcool se não estivesse bebendo? Aqui, podemos pensar em desde uma videochamada com os amigos até assistir a um filme sozinho, ou mesmo trabalhar, fazer faxina, cozinhar. As situações são inúmeras. O importante é tentar refletir sobre o que está por trás do uso. 

 

Álcool não é medicamento

 

Se o álcool não mata o novo coronavírus, como sugeriu o presidente da Bielorrússia, tampouco cura as dores causadas pela pandemia. Por isso, encará-lo como um remédio para o sofrimento pode se tornar preocupante: “Se eu estou me sentindo muito angustiado, muito ansioso, muito nervoso, e eu não sei muito bem como lidar com isso, eu posso usar o álcool como um ‘remédio’ para o mal-estar. Mas esse é um padrão de uso que é mais parecido com o uso de quem fica dependente, porque, na verdade, o álcool não é um remédio. Então, não é para ele ser usado dessa forma. E quando ele é usado dessa forma, em geral as pessoas começam a usar demasiadamente, abusar, a ponto de alguns ficarem dependentes”, explica Xavier. 

Ainda assim, podemos entender o beber como uma atividade prazerosa, mas isso não significa que ele não possa trazer, também, consequências negativas. Para muitas pessoas é preciso acontecer algo extremamente grave ou haver um abalo claro no trabalho, nas relações ou em qualquer instância da vida para que o uso de álcool seja um problema, mas isso não necessariamente é verdade. Às vezes, consequências negativas não são tão evidentes. Ou seja: ainda que um padrão de uso tenha “cara” de recreacional, não necessariamente ele é, e o autoquestionamento pode ajudar a tornar as coisas mais claras para você mesmo. 

Se você topar esse exercício e sentir, a partir das suas respostas, que é preciso pedir ajuda, não sinta vergonha nem medo. Recorra a pessoas de que você gosta e em quem você confia, e procure um profissional para acompanhamento terapêutico. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente um serviço de cuidado assistido aos usuários de álcool e outras drogas, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD). Pelo site da prefeitura de sua cidade é possível buscar a unidade mais próxima.


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Cut Crease: conheça e aprenda a fazer em 5 passos

Essa matéria Cut Crease: conheça e aprenda a fazer em 5 passos foi publicada por Equipe Sephora no Blog da Sephora.

O cut crease já é um clássico, um queridinho! E nós sabemos que o sonho de muita gente é aprender a fazer essa técnica que deixa a make super diferente e cheia de personalidade.

Como a nossa missão é te ajudar a criar o look perfeito com facilidade, elaboramos um passo a passo super detalhado! Confira e aplique os nossos ensinamentos para fazer o cut crease sem mistério.

O que é a técnica cut crease?

Caso você ainda não conheça e não saiba o que é a técnica cut crease, ela consiste, basicamente, em deixar o côncavo dos olhos bem marcados, colorir a pálpebra móvel com uma sombra mais clara e esfumar as extremidades.

Para entender o que é a técnica cut crease, é necessário conhecer as partes do olho. O côncavo é a parte pontilhada, a pálpebra móvel é a parte abaixo dele e a pálpebra fixa é a de cima.

Essa técnica é especialmente vantajosa para quem tem as pálpebras “gordinhas” ou que querem criar uma profundidade maior nos olhos. Pessoas orientais ou de ascendência indígena, que costumam ter olhos menores e com pouca profundidade, podem gostar bastante do efeito criado pelo cut crease.

Tipos de cut crease

Existem três tipos de cut crease: cut crease aberto, cut crease fechado e semi cut crease.

O que é cut crease aberto?

O cut crease aberto é aquele no qual a linha do côncavo fica “aberta”, não fechando um arco no canto externo do olho.

O que é cut crease fechado?

Como você deve imaginar, o cut crease fechado é o “clássico”, aquele no qual a marcação do côncavo se fecha no canto externo do olho.

E o que é semi cut crease?

Agora que você já sabe o que é cut crease aberto e fechado, deve estar se perguntando o que é o semi cut crease, certo? No semi cut crease, a marcação do côncavo fecha antes do canto externo, normalmente no meio da pálpebra móvel.

aprenda a criar cuto crease

O que usar para fazer o cut crease?

Seja para fazer cut crease aberto, semi cut crease ou cut crease fechado, alguns materiais e ferramentas são indispensáveis. Entre eles estão:

Para criar essa maquiagem, é de extrema importância ter um corretivo ou primer de sombras. Esse produto vai ser usado para preparar a pálpebra e, depois, para marcar o côncavo.

Fitas adesivas, colheres e até tampinhas de garrafa de refrigerante são indicadas como “hacks” em algumas listas do que usar para fazer o cut crease e podem ser úteis para quem está aprendendo. Uma vez que você aprender a técnica, eles podem ser dispensados.

Delineadores coloridos e pigmentos brilhantes personalizam o look e ajudam a fazer variações na maquiagem. Conforme você for pegando o jeito, já vai poder começar a ousar mais e a pôr em prática como fazer cut crease com glitter e outros jeitos super criativos.

Como fazer cut crease em 5 passos

Nossa principal recomendação, seja para quem já está em um nível mais avançado e quer saber como fazer cut crease com glitter ou para quem está começando agora, é que você faça primeiro a maquiagem dos olhos antes de preparar a pele. Isso evita que você precise limpar a área embaixo dos olhos, o que pode estragar a pele caso ela já esteja feita.

Agora vamos ao passo a passo de como fazer cut crease!

1. Prepare a pálpebra

Comece preparando a pálpebra dos olhos com um corretivo ou primer de olhos.

2. Encontrando o côncavo

Em seguida, o passo mais importante: encontrar a exata localização do côncavo. O côncavo dos olhos é aquele espaço logo abaixo do osso da sobrancelha. Você pode descobrir a sua exata extensão tateando com os dedos ou ainda como a nossa expert indica no vídeo.

O cut crease, seja um cut crease fechado, aberto ou semi, vai marcar o formato desse espaço.

3. Marcando o côncavo

Com um pincel de cerdas rígidas, aplique a sombra mais escura no côncavo dos olhos, marcando exatamente o local onde a pálpebra móvel se encontra com o osso da sobrancelha. Se preferir, pode usar um lápis de olhos para fazer essa marcação antes de passar a sombra.

Em seguida, esfume a sombra para cima fazendo movimentos circulares. Mas cuidado! O objetivo do cut crease é deixar o côncavo bem marcado, por isso é necessário não esfumar demais.

4. Destacando o cut crease

Use o corretivo ou o primer de sombras para “carimbar” a linha do côncavo e preencha toda a pálpebra móvel. Em seguida, aplique a sombra clara nessa área. Você pode esfumar ligeiramente as duas cores, mas a ideia é que o traço no côncavo continue bem marcado, fazendo a divisão entre um tom e outro.

E, para saber como fazer cut crease com glitter, você pode usar uma cola fixadora e aplicar o glitter com um pincel chanfrado. Ou, caso prefira, pode usar também um delineador com glitter na linha do côncavo.

E, se quiser dar ainda mais brilho, pode também usar uma sombra com glitter ou mesmo um glitter na pálpebra móvel após aplicar o corretivo. Essa opção é perfeita para fazer uma maquiagem para noite de arrasar!

5. Finalize com um delineado

Por fim, faça um delineado gatinho e use uma máscara de cílios. Se quiser uma dose extra de brilho, aplique pigmentos delicadamente sobre a área da sombra mais clara.

Agora que você já conhece os principais passos para criar seu cut crease, que tal compartilhar os resultados com a gente? Poste o seu look e marque o perfil da Sephora no Instagram!

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