quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Entrementes #34 | O que faz uma enfermeira contra o coronavírus?

A enfermagem é a área que geralmente passa mais tempo com os pacientes. Conheça o trabalho de uma enfermeira que atua em uma UTI para pessoas com covid-19.

 

A enfermagem é uma das áreas da Saúde mais próximas do paciente, auxiliando não só em procedimentos técnicos, mas rotineiramente servindo também como um apoio emocional. Em um cenário peculiar como o da covid-19, com pessoas internadas que precisam ficar isoladas, sem visitas familiares, esse suporte torna-se ainda mais importante. Conversamos com Yasmin Pinheiro, enfermeira da UTI do Hospital das Clínicas da FMUSP, sobre como está sendo seu trabalho durante a pandemia.

Veja também: Dr. Drauzio manda um recado aos profissionais no Dia da Enfermagem

 

Edição: Estalo Podcasts

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Flexibilização do comércio X Flexibilização da quarentena

A reabertura de serviços não essenciais faz parecer que a pandemia já passou, mas o novo coronavírus continua infectando milhares de pessoas no país.

 

 

Com a flexibilização do comércio que vem ocorrendo em muitas cidades do país, é comum pensar que o perigo já passou. Mas a gente sabe que não é bem assim. 

Vamos entender uma coisa: a flexibilização do comércio se dá por fins econômicos e políticos. Existe uma pressão da sociedade e de empresários pra que as lojas sejam abertas e os outros serviços essenciais funcionem o quanto antes. 

Mas sem um remédio para a covid, que continua circulando no país – o vírus não foi embora de uma hora pra outra – muito menos uma vacina, o que nos resta? Diminuir o contato social, evitar aglomerações e só sair de casa quando for muito necessário. Nós não podemos flexibilizar essas ações neste momento, muito menos as medidas de prevenção que vocês conhecem muito bem.

Por mais que se tenha tornado cada vez mais comum ver um monte de gente nas ruas, nos bares e restaurantes, ainda estamos em perigo. Se você precisar sair, se precisar mesmo, saia sempre de máscara. Mas se puder, continue em casa. Nada de festas, por enquanto, não tá na hora. Vamos usar o bom senso. Eu sei que todo mundo já tá cansado disso, mas é pro bem de todos. Seguimos juntos. 

Veja também: Número de casos de coronavírus aumenta no interior

 

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Água Termal, Água Micelar, Água de Beleza e Bruma: qual a diferença?

Essa matéria Água Termal, Água Micelar, Água de Beleza e Bruma: qual a diferença? foi publicada por Equipe Sephora no Blog da Sephora.

Água termal, água micelar, água de beleza, bruma de beleza, bruma hidratante… Com certeza você já ouviu falar pelo menos de alguns desses produtos e muito possivelmente não sabe para que cada um deles serve, certo?

São tantos nomes similares e embalagens normalmente bem parecidas que essa confusão é completamente compreensível. Para te ajudar a entender o papel de cada um e a decidir quais acrescentar à sua rotina de skincare, explicaremos tudo certinho a seguir!

O que é Água de Beleza?

Vamos começar pela água de beleza: esse termo, na verdade, abrange todos os outros produtos sobre os quais falaremos adiante. Águas de beleza são todos esses produtos de tratamento facial enriquecidos com minerais, componentes hidratantes e calmantes e que têm fórmulas livres de álcool, parabenos e corantes.

O que é Água Termal?

A água termal é diferente das águas comuns pois vem de fontes termais naturais e profundas localizadas na França. Alguns de seus principais diferenciais são a maior concentração de minerais e o pH alcalino mais próximo ao pH da pele.

Na água termal podem ser encontrados os seguintes minerais:

  • Amônio;
  • Boro;
  • Cálcio;
  • Enxofre;
  • Estrôncio;
  • Ferro;
  • Flúor;
  • Hidrogenocarbonato;
  • Lítio;
  • Magnésio;
  • Manganês;
  • Ortofosfato;
  • Potássio;
  • Selênio;
  • Silício;
  • Sódio. 

Benefícios da Água Termal

Os minerais presentes na água termal reforçam a defesa natural da pele e seu pH alcalino tem ação calmante e suavizante. Antigamente, ela era usada para fins medicinais e hoje são muitas as formas de como e quando usar água termal.

aprenda as melhores dicas para usar água termal

Seus benefícios para a pele, que respondem parcialmente para que serve a água termal, são diversos, como:

  • Efeito antioxidante e prevenção do envelhecimento da pele;
  • Alívio de irritações e coceiras — muito útil após depilação e como pós-barba;
  • Hidratação e nutrição;
  • Efeito calmante — muito útil durante tratamentos antiacne e tratamentos com ácidos, peelings e lasers, para peles sensíveis, peles com rosácea etc;
  • Fechamento de poros;
  • Auxílio no tratamento de doenças de pele como dermatite atópica e psoríase;
  • Reposição dos sais minerais perdidos ao longo do dia a dia;
  • Efeito refrescante — muito útil durante a prática de exercícios;
  • Amenização do incômodo gerado pela queimadura de sol na pele;
  • Criação de uma barreira protetora contra agentes externos agressores, como a poluição.

A água termal pode ser usada por todos os tipos de pele, sendo recomendada principalmente para as sensíveis e sensibilizadas. Ah, e ela pode também ser aplicada no cabelo, ajudando a hidratar e a reduzir o frizz.

Como e quando usar Água Termal

Na pele

A água termal pode ser usada para diversas finalidades, desde hidratar a pele do rosto em dias quentes ou acalmar irritações e alergias até melhorar a fixação da maquiagem. Ela proporciona uma sensação refrescante (ainda mais se você a guardar na geladeira! É sucesso!) e cria uma película protetora sobre a pele, evitando a desidratação e a sensação de repuxamento da pele.

E, se você quer saber como e quando usar água termal durante seu ritual de cuidados com a pele, existem várias possibilidades:

  • Usar após a lavagem do rosto;
  • Após a esfoliação para acalmar a pele;
  • Como tônico pré-maquiagem;
  • Como pós-maquiagem, para dar mais leveza e agir como fixador;
  • Após passar uma máscara facial de tratamento;
  • Sempre que for reaplicar o protetor solar;

No corpo

Ela funciona como um bom hidratante corporal — aplique depois do banho! — e pode ser usada em dias de calor ou após os exercícios físicos, pois repõe os sais minerais perdidos com o suor. Pode também ser usado após a depilação para diminuir o incômodo e evitar coceira.

No cabelo

A água termal pode agir como um potente hidratante capilar e finalizador, garantindo mais brilho e maciez aos fios. É interessante observar as substâncias que predominam na composição para aproveitar bem os seus benefícios: as águas termais ricas em enxofre combatem a oleosidade, já as que contêm mais selênio ajudam a cicatrizar feridas no couro cabeludo e combatem a descamação e a caspa.

Ah, também pode ser uma boa levar este produto na bolsa em dias de sol, praia a piscina e aplicá-lo sempre que sair da água ou depois de algumas horas de exposição solar. Este pode ser um dos seus cuidados com o cabelo no verão!

O que é Água Micelar?

Demaquilante, hidratante e tonificante, tudo isso em um único produto: a água micelar. Além disso, ela limpa a pele sem irritar, pois contém micelas (pequenos glóbulos presentes no meio do líquido) que absorvem as impurezas sem agredir, e equilibra o pH da pele.

A água micelar não conta com óleo nem ingredientes irritantes, como álcool ou corante, na sua composição. Por isso, ela é bastante recomendada para peles sensíveis — podendo também ser usada por outros tipos de pele, mas, no caso de peles oleosas, talvez não como único produto de limpeza facial.

Benefícios da Água Micelar

Dentre os principais benefícios do uso da água micelar, podemos citar os seguintes:

  • Limpa profundamente sem irritar, deixar ardência ou sensação de repuxamento na pele;
  • Remove maquiagem;
  • Tonificação e suavização da pele;
  • Efeito refrescante;
  • Redução da oleosidade.

Como e quando usar Água Micelar

Se você estava se perguntando para que serve a água termal, possivelmente também quer saber quais são os possíveis usos da água micelar. Ela é usada, como já deve ter percebido, para fazer a limpeza da pele do rosto.

O recomendado é usar a água micelar antes ou depois de lavar o rosto — neste caso, não precisa enxaguar. Você pode também usar antes de aplicar o protetor solar e a maquiagem ou ainda à noite, após lavar a pele.

Qual a diferença entre a Água Micelar e Termal?

É comum que as pessoas não saibam qual a diferença entre a água micelar e a termal. Agora que já explicamos um pouco sobre as duas, possivelmente já está mais fácil fazer essa distinção.

Porém, caso você ainda esteja se perguntando qual a diferença entre a água micelar e a termal, podemos responder que a água micelar é um produto de limpeza facial, enquanto a termal é usada como um tratamento para a pele, principalmente como hidratante e calmante.

Portanto, se você estiver procurando o que substituir a água termal, não opte pela micelar. Mas, se você quiser usar ambas na sua rotina de skincare, fique à vontade!

O que é Bruma de Beleza?

Existem vários tipos de bruma de beleza, elas podem ser hidratantes, fixadoras, finalizadoras, iluminadora… O que une todos esses produtos é o tipo de aplicação por borrifação, que, como o nome diz, é como uma bruma, ou seja, como um “nevoeiro”, formando uma camada fina sobre a pele.

Bruma hidratante

A bruma hidratante, como o nome indica, ajuda a potencializar a hidratação da pele. Normalmente possui ingredientes como aloe vera e ácido hialurônico na sua composição e pode ter também antioxidantes, que ajudam na prevenção ao envelhecimento da pele.

Este tipo de bruma pode ser uma opção para quem busca o que substituir a água termal. Ela pode ser a resposta para quem quer hidratar a pele e gosta da opção de produto em spray.

Bruma fixadora

A bruma fixadora, por sua vez, é usada para prolongar a duração da maquiagem. Ela dá uma aparência mais natural à pele e deve ser escolhida de acordo com o tipo de pele.

Você pode usar a bruma fixadora no pincel para potencializar a cor das suas sombras, para preparar a pele, como um primer, ou após finalizar a maquiagem para tirar a textura de pó e fixar. 

Agora que você já sabe tudo o que precisa sobre as águas de beleza, que tal conhecer algumas das nossas preferidas? Confira a seguir!

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Coronavírus: Depressão e o isolamento | Artigo

O isolamento social pode gerar ou agravar quadros de depressão e ansiedade, que podem persistir mesmo com o fim da pandemia de Covid-19.

 

Depressão é transtorno traiçoeiro que transforma a vida num fardo difícil de suportar.

Mesmo antes do coronavírus, já era considerada “o mal do século”. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a partir desta década, será a principal causa de absenteísmo. Já o é, entre os que trabalham no mercado financeiro de São Paulo.

Veja também: Podcast “Entrementes” sobre ansiedade na quarentena

Parece paradoxal, porque, a partir da Segunda Guerra, centenas de milhões de pessoas tiveram acesso a alimentos de qualidade, serviços de saúde e níveis de conforto com os quais nossos antepassados não ousavam sonhar.

Embora a pobreza possa aumentar a prevalência de pessoas deprimidas nas sociedades, por que razões tantos que desfrutam de melhores condições financeiras desenvolvem um transtorno que lhes subtrai o prazer de viver?

Nas últimas décadas, a ênfase foi dada à biologia dos neurotransmissores, os sinais químicos que os neurônios trocam nas sinapses. A descrição das alterações na produção, na concentração e nas atividades desses mediadores envolvidos na fisiopatologia da doença, levou às sínteses de medicamentos antidepressivos para corrigir os desequilíbrios neuroquímicos associados a ela.

A despeito desses avanços, desarranjos na “química cerebral” não são suficientes para explicar o crescimento da prevalência, na sociedade moderna. Sem invadir a seara dos especialistas, tomo a liberdade de enumerar dois dos fatores que talvez nos ajudem a entender.

O primeiro tem raízes evolutivas. Nossos antepassados mais remotos desceram das árvores, nas savanas da África, há cerca de 6 milhões de anos. Naqueles tempos, tínhamos perto de 1 metro de altura e quase nenhuma gordura no corpo, dada a dificuldade de obter alimentos. Qual a chance de sobrevivência de um primata tão franzino, no meio das feras que o espreitavam dia e noite?

A solução foi formar bandos. O agrupamento foi essencial à sobrevivência dos ancestrais do Homo sapiens; aqueles incapazes de organizar coalisões não deixaram descendentes. Desde então, a sensação de isolamento nos torna tão frágeis, que mal conseguimos suportar um sábado à noite, sozinhos, em casa.

A dificuldade de lidar com a solidão é um enorme desafio nestes dias de isolamento social. Manter o equilíbrio psicológico dentro de limites razoáveis, trancados em casa, amedrontados pelo vírus, longe das pessoas de quem gostamos, é privilégio de poucos.

Até a metade do século passado – 1 milionésimo de segundo em 6 milhões de anos – vivíamos em famílias numerosas que nasciam e se mantinham nos mesmos grupos, nas mesmas tribos ou em casas próximas, pelo resto da vida. De uma hora para outra, o progresso e a complexidade dos centros urbanos nos afastaram uns dos outros. A solidão se tornou endêmica.

O segundo é a busca incessante da felicidade em ações, ambientes e relacionamentos que nos distanciam dela. Desperdiçamos energia para adquirir status, bens, galgar posições sociais e exibir, no Instagram e no Facebook, fotos e comentários fúteis, para mostrar aos nossos seguidores como somos inteligentes, espirituosos, importantes e, sobretudo, felizes.

Superação, palavra insuportavelmente em moda, virou o mandamento supremo. Nada mais justifica a tristeza e o fracasso; a ordem é triunfar o tempo todo, para não sermos acusados de fracos, deprimidos e perdedores; portanto, desprezíveis.

A expectativa de uma existência cor-de-rosa não estava no horizonte dos nossos antepassados, ocupados com o ganha-pão, as doenças, as guerras e as epidemias de fome.

A tecnologia que nos trouxe computadores, celulares e a internet foi a pá de cal. Entretidos com as telas dos telefones, perdemos contato com os familiares e os amigos. O trabalho derrubou as fronteiras entre o escritório e a privacidade de nossas casas. Onde quer que estejamos, seremos bombardeados por mensagens de e-mail, WhatsApp, Instagram, Twitter e o diabo que nos carregue.

A seleção natural não preparou o cérebro para lidar com tamanha variedade de estímulos e solicitações concomitantes. A incapacidade de atender à demanda gera sensação de incompetência, frustração e estresse.

A vida moderna se transformou numa engrenagem impiedosa que nos afasta dos valores essenciais à condição humana.

A dificuldade de lidar com a solidão é um enorme desafio nestes dias de isolamento social. Manter o equilíbrio psicológico dentro de limites razoáveis, trancados em casa, amedrontados pelo vírus, longe das pessoas de quem gostamos, é privilégio de poucos.

A depressão e os transtornos de ansiedade deixarão sequelas mais duradouras do que a passagem do vírus.

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Síndrome de Asperger é a mesma coisa que autismo?

Entenda as principais características da síndrome de Asperger e como ela se diferencia do autismo clássico.

 

A síndrome de Asperger é uma condição que faz parte do transtorno do espectro autista (TEA), sendo considerada um tipo de autismo brando.

Os transtornos do espectro autista são distúrbios que afetam o desenvolvimento neurológico caracterizados principalmente pela dificuldade de comunicação e de interação social, além de padrões de comportamentos repetitivos e restritivos. O espectro recebe esse nome porque engloba uma série de condições que variam de intensidade, desde graus mais leves até mais severos. Mas todas estão relacionadas com as características listadas acima.

Veja também: Quarentena muda rotina dos pais de crianças com autismo

A síndrome de Asperger é um desses transtornos, só que um dos mais brandos. Chamada de autismo leve ou autismo nível 1 pelos especialistas, ela provoca os mesmos sintomas do autismo clássico, mas em uma escala menor. Pacientes que têm Asperger normalmente apresentam dificuldade para se comunicar e tendem a repetir frases ou falas de forma mecânica, porém, essa dificuldade não tem um impacto tão nítido em suas interações e relações sociais.

Veja também: Neuropediatra fala sobre a síndrome de Asperger.

A rotina é muito importante para as pessoas que têm transtorno, já que elas sentem imensa dificuldade em experimentar coisas novas, sair da zona de conforto e manter atenção focada por muito tempo. No entanto, elas têm a capacidade cognitiva preservada e dificilmente apresentam comportamentos agressivos. Além disso, no autismo leve, o indivíduo tem uma autonomia maior e consegue levar uma vida praticamente normal.

É importante lembrar que a síndrome de Asperger (assim como qualquer outro nível de autismo) não é uma doença, e sim uma condição. Não há, portanto, uma cura, mas existem tratamentos e terapias comportamentais que podem ajudar as crianças com diagnóstico de autismo a conviver melhor com outras pessoas e ter mais autonomia.

 

Conteúdo produzido em parceria com a Prati-Donaduzzi.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Puerpério na pandemia: veja os cuidados para amenizar as dificuldades dessa fase

Medidas para conter o avanço da pandemia tornam o puerpério, período do pós-parto, ainda mais delicado. 

 

A chegada de um novo bebê a uma família normalmente é um momento de alegria, mas também conturbado, principalmente para a mãe que acabou de dar à luz. 

Após o parto, a mulher passa por uma avalanche hormonal e precisa se adaptar a uma nova rotina de cuidados intensivos com o recém-nascido. Por isso, poder contar com uma rede de apoio que inclua pessoas de confiança é importante. No entanto, diante da pandemia de covid-19, muitas mulheres estão passando pelo puerpério (período de 45 dias após o parto) mais solitárias por não poderem dispor desse suporte extra.

Veja também: Cuidados com os bebês nos primeiros meses de vida

Para além do período pandêmico, quando falamos em depressão pós-parto, o assunto é ainda mais sério. No Brasil, cerca de um quarto das mães sofre desse transtorno. Trata-se de uma condição muito comum e que precisa de tratamento adequado e contínuo. 

Abaixo, separamos dicas para ajudar quem está passando pelo puerpério durante a pandemia. 

 

Como posso enfrentar esse período com mais facilidade?

 

  • Mantenha o contato com amigos e familiares mesmo que virtualmente. Troque mensagens, faça ligações ou chamadas de vídeo com pessoas de confiança com as quais você pode conversar sobre qualquer assunto e desabafar, independentemente do horário; 
  • Considere fazer terapia. A terapia online pode ser uma ferramenta muito benéfica nesse momento, em que você poderá trabalhar questões como culpa, medo, solidão e expectativas criadas em torno da maternidade, além de outros assuntos que mexem com você;
  • Não tenha vergonha de pedir (e aceitar) ajuda. É impossível dar conta de tudo sozinha e nem todas as coisas sairão do jeito esperado sempre. Lembre que você também precisa e merece descansar, especialmente nessa fase. 

 

Como posso ajudar uma mãe na fase do puerpério?

 

Parceiro (a) que mora na mesma casa:

 

  • Divida os cuidados com o bebê. Não é ajudar. É pegar a responsabilidade também para si. A rotina com um recém-nascido é muito intensa e a maioria das mães fica sobrecarregada neste momento. Lembre-se: a única coisa que apenas a mãe pode fazer é amamentar, todas as outras tarefas podem e devem ser divididas;
  • Cuide da maior parte dos afazeres domésticos. Principalmente nos primeiros dias, é comum que a mãe esteja cansada e debilitada. Nos casos em que houve cesárea, ela ainda está se recuperando da cirurgia e não pode fazer muito esforço. Planeje com certa antecedência a questão da alimentação e da limpeza da casa para não ser pego(a) desprevenido(a).
  • Atente-se aos sinais de depressão pós-parto, como perda de interesse em atividades de rotina e atividades que antes lhe davam prazer, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, irritabilidade, entre outros. Se notar a presença de sintomas, busque ajuda médica para iniciar o tratamento;
  • Converse e acolha as demandas da mãe. Mostre que ela não está sozinha. Se a carga for dividida entre o casal, ficará muito mais leve para os dois. 

 

Veja também: 5 perguntas sobre depressão pós-parto

 

Amigos e familiares (que não moram na mesma casa):

 

  • Nesse momento de distanciamento físico, pequenos gestos fazem diferença, como mandar uma comida especial. Além de ser um agrado, gera economia de tempo, já que o casal não vai precisar preparar uma refeição;
  • Quando sair para ir ao mercado ou à farmácia, por exemplo, pergunte se a família precisa de algo. Se vocês moram perto, comprar algum mantimento ou remédio que está faltando e deixar na porta de casa (ou portaria do prédio) já é de grande ajuda;
  • Avós ou parentes: o momento é difícil, mas não é recomendado contato, nem visitas. Se a mãe realmente não tiver outro tipo de ajuda, o recomendado é ficar durante esse período de puerpério na casa da gestante e evitar sair para a rua, a fim de diminuir o risco de contaminação. 
  • Mesmo de longe, demonstre apoio, escute a mãe e não faça julgamentos nem cobranças. Opiniões não solicitadas podem ser muito negativas e fazem a mulher se cobrar ainda mais, em uma fase que naturalmente já exige muito dela. Comentários do tipo “mas você dá chupeta para ele(a)?” ou “tem que deixar chorar um pouquinho, senão fica muito mimado (a)” são totalmente dispensáveis. 

 

Veja também: Passo a passo do banho do bebê

 

Dúvidas frequentes relacionadas à covid-19

 

Mulheres com covid-19 podem amamentar?

Sim. Não há indícios de que o vírus seja transmitido através do leite materno. Nesse caso, o ideal é que a mãe utilize máscara durante a amamentação e lave bem as mãos antes e depois de tocar no bebê, além de manter a limpeza frequente das superfícies e do ambiente em que estão.  

 

A mulher pode ter acompanhante durante o parto? 

Toda mulher tem direito a um acompanhante à sua escolha durante todo o trabalho de parto e pós-parto, e isso não muda durante a pandemia. O acompanhante deve usar paramentação necessária (como máscara, avental e touca, se necessário). Já as visitas nas maternidades estão suspensas no momento para reduzir o risco de propagação do vírus.

 

Gestantes e puérperas estão no grupo de risco da covid-19? 

Sim. Não há evidências de maior gravidade em mulheres grávidas e puérperas, no entanto, como já houve casos de morte no país, o Ministério da Saúde resolveu incluí-las no grupo de risco em abril de 2020. A medida é também uma forma de precaução, já que nessa fase é comum haver uma queda de imunidade.

 

É possível a transmissão da mãe para o feto durante a gravidez?

Ainda não há evidências de que a mulher possa transmitir o vírus para o feto na gestação. Contudo, após o nascimento o bebê está suscetível à infecção como qualquer pessoa. Portanto, caso a mãe esteja infectada, é preciso tomar todos os cuidados necessários. 

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Cuidados ginecológicos para pessoas LGBTQIA +

Mulheres que fazem sexo com mulheres realizam menos consultas ginecológicas. Veja a importância dos cuidados em ginecologia para população LGBTQIA+.

Pesquisa recente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) aponta que 76% das mulheres (independentemente de sua sexualidade) realizam consultas ginecológicas anualmente. Mas há um fato curioso: o índice cai para 47% quando falamos das mulheres que fazem sexo com mulheres (MSM), de acordo com o relatório Atenção Integral à Saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, do Ministério da Saúde (MS). 

A ginecologista dra. Marair Sartori, membro da Comissão Nacional Especializada em Uroginecologia e Cirurgia Vaginal da Febrasgo, reforça que a rotina ginecológica das MSM não deve ser diferente da preconizada para mulheres heterossexuais. “Exames preventivos, como mamografia e o papanicolaou (principal método de detecção e prevenção do câncer de colo do útero) devem ser realizados de acordo com as diretrizes de saúde.” Ultrassom da pelve, rastreamento infeccioso de doenças como herpes, HIV e sífilis também devem fazer parte da rotina.

Veja também: 66% das mulheres não associam HPV e câncer de colo do útero

No Brasil, o Ministério da Saúde sugere que o papanicolau – um dos exames mais comuns e importantes – seja repetido um ano depois do primeiro exame. Se os resultados forem normais, o intervalo deverá passar a ser de 3 anos.

Já a mamografia é recomendada para todas as mulheres com idade entre 50 e 69 anos, com intervalos máximos de 2 anos visando a detecção precoce do câncer de mama.

 

Quais são as rotinas de cuidados e exames?

 

O profissional de ginecologia deve atentar às práticas sexuais e/ou exercício de sexualidades adotadas por suas pacientes, independentemente de serem heterossexuais, homossexuais, bissexuais, assexuais ou homens trans. Os exames ginecológicos devem ser discutidos com a paciente, escolhendo juntos o melhor método. Mulheres que já iniciaram atividade sexual devem ser examinadas, com coleta periódica do papanicolaou, por exemplo.

A grande questão por trás disso, é que muitas pacientes não se sentem confortáveis em relevar ao médico ginecologista sua orientação sexual, porque muitos especialistas não dão a devida atenção ou reagem negativamente. Isso ocorre porque a maioria das faculdades de medicina do país não prepara os profissionais de saúde para nada que não seja hetreonormativo. 

Dra. Marair explica que ainda assim, muitos exames podem ser ajustados de acordo com as práticas sexuais das pacientes – como a presença ou ausência de penetração durante a relação sexual. 

“O uso de cotonetes para coleta do exame papanicolaou não é adequado, já que não permite visualizar o colo do útero e a paciente deve ser informada sobre isso. Há opção de espéculos menores, uso de lubrificantes e delicadeza para que o exame seja confortável e permita adequada análise da vagina e do colo do útero. O toque vaginal deve ser feito cuidadosamente, com apenas um dedo caso a paciente fique mais confortável. Obviamente, esses cuidados devem ser sempre adotados com todas as mulheres.”

 

Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

As ISTs podem surgir pela ação de vírus, bactérias ou protozoários – caso da sífilis, gonorreia, HIV, HPV, hepatites, herpes, tricomonas. A falsa crença de que mulheres lésbicas, bissexuais e homens trans estão menos propensas às ISTs prejudica a prevenção de saúde dessas pessoas. O contágio pode ocorrer por contato entre mucosa oral ou vaginal. O uso de acessórios compartilhados também é responsável pela transmissão de agentes infecciosos. 

“A orientação heteronormativa do profissional de saúde pode ser um grande obstáculo para a adequada assistência de saúde, ao ignorar práticas sexuais e falhar na orientação quanto à prevenção de ISTs. A transmissão entre o casal pode ocorrer por penetração vaginal, sexo oral, contato com sangue ou uso de acessórios sexuais. Portanto, independentemente do sexo do parceiro, os riscos de ISTs são reais.”

A especialista completa ainda que o uso compartilhado de acessórios sem higienização adequada, o sexo oral ou a prática sexual vagina com vagina também podem alterar a flora vaginal, causando vaginose bacteriana. “Não se trata de uma IST, porém, pode facilitar a entrada de outros agentes causadores de ISTs.” 

Vida sexual: Medidas de proteção que podem ser adotadas pelo casal

 

A médica aponta que mulheres que fazem sexo com mulheres e homens trans raramente utilizam preservativos ou barreiras de proteção ao fazer sexo. Mas é preciso tomar alguns cuidados. 

Exames: Converse com a sua parceira e pergunte se os exames dela estão em dia. Mostre seus exames a ela. Essa é uma das formas mais seguras de evitar as ISTs.

– Camisinha: Sempre que for usar um acessório com a parceira, como dildo ou vibrador, use camisinha e troque toda vez que a outra for usar.

– Luva: Utilize luva na penetração com o dedo, caso o dedo esteja machucado ou com ferida.

– Camisinha cortada, plástico filme, dental dam: Para sexo oral ou contato entre vulvas, essas podem ser uma estratégia que cria barreira de proteção.

 

Saúde do homem transgênero 

A ginecologista dra. Laura Olinda Costa, membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina da Febrasgo, aponta que a assistência ao homem transgênero (pessoa que foi atribuída como do gênero ou sexo feminino ao nascer e possui uma identidade de gênero masculina) deve ser abrangente e individualizada, assim como ocorre com as mulheres cisgênero (pessoas cuja identidade de gênero corresponde ao gênero que lhes foi atribuído no nascimento). Ela comenta, contudo, que aqueles que realizam tratamentos hormonais demandam atenções específicas.

Segundo ela, o acompanhamento de um homem transgênero é feito por uma equipe multidisciplinar formada por ginecologistas, endocrinologistas, psicológicos, assistentes sociais e outros especialistas. Realiza-se minuciosa investigação de condições de saúde e identificação de possíveis problemas de base que careçam de cuidados anteriores ao tratamento hormonal.

A médica explica que no primeiro ano, após principiar o uso de androgênios, a rotina de consultas deve ser trimestral.

“As dosagens de testosterona ministradas são elevadas. Observamos a evolução do paciente, possíveis alterações no perfil lipídico, alteração glicêmica, coagulação sanguínea, função renal, impactos no fígado e outros indicadores. Pode ainda ocorrer alguma alteração de humor e ansiedade que pode ser acompanhada com o apoio de profissionais de saúde mental.” Após esse período, as consultas para avaliações clínicas tendem a ser semestrais e, por fim, anuais.

A dra. Laura destaca ainda a importância de manter os cuidados preventivos ao câncer de mama. De acordo com ela, a ação dos andrógenos pode promover uma atrofia das mamas, o que diminuiria o estímulo ao surgimento da doença. Entretanto, em alguns casos, o hormônio masculino pode ser convertido perifericamente em estrógeno, mantendo as condições para o aparecimento da doença.

Outro ponto de atenção diz respeito à fertilidade desses homens. O uso dos androgênios, a longo prazo, pode comprometer a fertilidade. Dessa forma, aqueles que desejam gestar precisam ponderar os impactos de seu tratamento na capacidade reprodutiva. No momento em que desejarem engravidar, é necessário suspender os hormônios masculinos com muita antecedência e aferir se as condições para fecundação se restabelecem. Por outro lado, ainda que pequena, há possibilidade de gravidezes não planejadas durante a hormonioterapia. Por essa razão, demanda a adoção de cuidados contraceptivos.

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